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Prompts

Como escrever prompts melhores: o guia definitivo

Thiago Caserta · 2025-12-19 · ~6 min de leitura

Você pediu um texto pro ChatGPT e veio aquela coisa genérica. De novo. Aí você tentou reformular, veio genérico de novo, e você concluiu que IA é superestimada ou que existe algum prompt secreto que os outros conhecem e você não.

Deixa eu ser direto: não existe prompt secreto. Escrever prompts melhores é dar pra IA o que você daria pra uma pessoa inteligente que acabou de chegar na sua empresa: contexto, uma tarefa clara, o formato que você espera e os limites do que pode e não pode. Quatro peças. Quem entrega as quatro recebe respostas úteis. Quem entrega só a tarefa recebe o texto médio da internet, porque foi isso que a IA aprendeu a devolver quando ninguém diz mais nada.

Eu uso IA todo dia há anos, em trabalho de verdade: documentos de produto, análises, e-mails difíceis, material dos meus livros. A diferença entre a resposta que vai pro lixo e a que economiza uma hora do meu dia quase nunca está no modelo. Está no pedido.

Por que seus prompts voltam genéricos?

Porque a IA não lê sua mente. Quanto menos contexto você fornece, mais ela precisa inventar. E quando ela inventa, ela puxa pra média: o tom médio, o argumento médio, a estrutura média de tudo que já leu.

Pensa num briefing pra um estagiário brilhante que tem amnésia. Ele escreve bem, conhece de tudo um pouco, mas não sabe quem é você, quem é seu cliente, nem o que aconteceu ontem. Se você chega e fala “escreve um e-mail pro cliente”, ele vai escrever um e-mail. Formal, educado, vazio. Agora, se você fala “o cliente atrasou um pagamento de R$ 12 mil, é parceiro há três anos, quero cobrar sem azedar a relação, máximo dez linhas”, ele escreve algo que você quase consegue enviar.

A IA funciona igual. Na imensa maioria das vezes, o que falta é briefing.

As 4 peças de um prompt que funciona

Todo prompt bom que eu já escrevi cabe nesta estrutura:

  1. Contexto — quem você é, pra quem é o material, qual a situação.
  2. Tarefa — o verbo exato: escrever, resumir, comparar, criticar, listar.
  3. Formato — tamanho, estrutura, tom. “Três parágrafos”, “tabela”, “linguagem de WhatsApp”.
  4. Restrições — o que NÃO pode: sem jargão, sem inventar dados, sem parecer vendedor.

Não precisa decorar nome de técnica nem escrever parágrafos de instrução. Precisa cobrir as quatro peças. Eu detalho cada uma em As 4 coisas que todo prompt precisa ter, e a quarta peça, que quase todo mundo pula, tem artigo próprio: restrições.

Compara os dois pedidos:

Ruim: “Escreva posts pra minha loja.”

Bom: “Tenho uma loja de roupa feminina em Curitiba, público de 25 a 40 anos, tom leve sem gíria forçada. Escreva 5 ideias de post de Instagram pra semana do frio, cada uma com legenda de até 3 linhas. Sem emoji em excesso e sem promessa de desconto, porque não vou dar desconto.”

O segundo não é mais difícil de escrever. Ele só exige que você saiba o que quer antes de pedir. E aqui está uma verdade incômoda: metade das respostas ruins da IA são pedidos mal pensados devolvidos com formatação bonita.

Prompt universal pra copiar

Este é o esqueleto que eu uso pra quase tudo. Preenche os campos e vai:

Contexto: sou [SUA FUNÇÃO] em [TIPO DE EMPRESA/SITUAÇÃO]. Este material é para [PÚBLICO] e o objetivo é [O QUE VOCÊ QUER QUE ACONTEÇA DEPOIS].

Tarefa: [VERBO + O QUE EXATAMENTE].

Formato: [TAMANHO, ESTRUTURA E TOM. EX: "até 300 palavras, em parágrafos curtos, tom de conversa"].

Restrições: não use jargão, não invente dados ou números, e evite [O QUE VOCÊ NÃO QUER].

Se faltar alguma informação importante pra fazer isso bem, me pergunte antes de responder.

A última linha vale ouro. Ela transforma a IA de adivinhadora em entrevistadora, e as perguntas que ela faz costumam revelar o que você mesmo ainda não tinha decidido.

E quando a primeira resposta vem mais ou menos?

Vem quase sempre. Prompt bom reduz o retrabalho, mas raramente elimina. A segunda mensagem da conversa importa tanto quanto a primeira, e é onde a maioria desiste ou aceita o mediano.

Duas ferramentas pra essa segunda rodada:

Boa base. Agora refaça com estes ajustes:
1. [O QUE FICOU GENÉRICO OU ERRADO]
2. [O QUE FALTOU]
3. Mantenha [O QUE FICOU BOM] exatamente como está.
Antes de eu usar esta resposta: aponte as 3 maiores fraquezas dela. Onde ela está genérica, onde pode estar errada e o que um [ESPECIALISTA DA ÁREA] cortaria. Depois reescreva corrigindo.

O segundo é a técnica que mais mudou meu uso de IA no dia a dia: fazer o modelo criticar a própria resposta antes de eu aceitar. Funciona tão bem que ganhou um artigo inteiro: Faça a IA criticar a própria resposta.

O atalho que ninguém usa: mostrar um exemplo

Tem uma quinta técnica que não entra na estrutura porque é opcional, mas quando cabe, cabe muito: dar um exemplo do resultado que você quer. Uma linha de “escreva no estilo deste exemplo:” seguida de um texto que você gosta vale mais que três parágrafos tentando descrever tom.

Funciona pra quase tudo. Quer legendas com a sua cara? Cola duas legendas antigas suas que performaram bem. Quer um relatório no padrão da sua empresa? Cola o cabeçalho e a primeira seção de um relatório aprovado. A IA é uma máquina de imitar padrões, e imitar um exemplo concreto é o que ela faz de melhor. Descrever estilo com adjetivos (“profissional mas leve, moderno porém sóbrio”) é pedir pra ela adivinhar; mostrar o estilo é pedir pra ela copiar. Copiar ela sabe.

O que NÃO fazer

Rápido, três avisos que evitam a maior parte das frustrações:

Não peça cinco coisas num prompt só. A IA atende as cinco pela metade. Não trate a IA como o Google, jogando três palavras soltas e esperando análise. E não confie em número, data ou nome próprio que ela trouxer sem você conferir. Ela produz texto com confiança de especialista mesmo quando está inventando, e a responsabilidade pelo que você envia continua sendo sua.

Pera aí, Thiago, e aqueles prompts gigantes de vinte linhas que circulam no LinkedIn, com persona, cargo, prêmios e “aja como o melhor copywriter do mundo”? Na minha experiência, a maior parte daquilo é enfeite. “Aja como especialista em X” ajuda um pouco, sim. Mas dez linhas de contexto real sobre o SEU problema valem mais do que cinquenta linhas de teatro sobre quem a IA deveria fingir ser.

Faça isso agora

Pega uma tarefa de texto que você tem pra esta semana. Um e-mail, um resumo, uma proposta. Abre o ChatGPT, Claude ou Gemini e usa o prompt universal lá de cima, preenchendo as quatro peças de verdade, com nomes, valores e situação real. Quando vier a resposta, roda o prompt de crítica antes de aceitar.

Compara com o que você teria conseguido pedindo do jeito antigo. Essa comparação, feita uma vez com um problema seu, ensina mais do que qualquer guia. Inclusive este.

Se você quiser pular a parte de escrever prompts do zero: a biblioteca completa do IA sem Enrolação tem 69 prompts prontos pra situações reais de trabalho, com busca e botão de copiar. Está em ia.thiagocaserta.com/comprar.

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Thiago Caserta
Thiago Caserta

Fundador da Kumulus (vendida pra Logicalis) e da Movestax (vendida pro Magalu). Executivo da Magalu Cloud e autor de dois livros pela Editora Gente. Escreve sobre IA aplicada ao trabalho, sem enrolação. Instagram · LinkedIn

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